A Máquina do tempo

By História
ébano, latão, marfim e quartzo para viajar pelo tempo; à direita, a capa do novo romance cientifico

Máquina fantástica: ébano, latão, marfim e quartzo para viajar pelo tempo; à direita, a capa do novo romance científico

O assombroso progresso científico deste século não deixou como corolário apenas algumas das mais engenhosas invenções já concebidas pelo homem, como a eletricidade e o telégrafo. Auxiliada pela irrefreável imaginação de alguns escritores, a ciência também fincou raízes na literatura, com a criação de um gênero muito particular, que alguns vêm denominando romance científico – e cujo luminar é Júlio Verne, autor de Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1870). Um novo nome, porém, está causando espécie nesse círculo de letras: o do britânico H. G. Wells, de 29 anos. Seu mais novo lançamento, A Máquina do Tempo (William Heinemann and Company Limited publishers, Londres), apresenta o mais fabuloso aparelho já criado no planeta, que permite a um cientista amador londrino viajar ao passado e ao futuro com a mesma facilidade com que hoje se sobe em um bonde elétrico em uma metrópole qualquer.

Não é a primeira vez que viagens no tempo aparecem na literatura – o famoso Conto de Natal, de Charles Dickens, e Um Americano na Corte do Rei Artur, de Mark Twain, já exploraram o tema. Até agora, contudo, todas as incursões eram involuntárias ou fruto de forças sobrenaturais. A “máquina do tempo” de Wells é pioneira por colocar a expedição como resultado da vontade, da ciência e da razão humanas. Valendo-se da teoria de que o tempo é uma quarta dimensão, e que portanto pode ser explorado com os instrumentos adequados, o autor coloca o herói – chamado apenas “viajante do tempo” – em uma jornada de centenas de milhares de anos. O veículo que o catapulta para o futuro é uma máquina fantástica feita de ébano, latão, marfim e quartzo, operada por meio de duas alavancas. Seu funcionamento não é descrito em detalhes – mas o leitor é levado a crer, pela prosa hábil e direta do autor, que a engenhoca é sim verossímil. E isso é suficiente para que uma nova discussão possa ser trazida à baila.

Fonte: Veja na História

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