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A democracia e o ‘fim da História’

4 - Outubro - 2008

O dito popular diz que “contra fatos não há argumentos”, mas o mais acertado seria admitir que apenas contra fatos é que existem argumentos, pois a interpretação da realidade depende sempre de onde se lha enxerga. Assim, um dos problemas caros aos historiadores é enxergar o passado para além dos acontecimentos, mas também a mentalidade existente nas consciências. Neste sentido, o que chamamos “modernidade” corresponde ao período em que existiram projetos universais, como o socialismo ou o nazi-fascismo, por exemplo. E o que chamamos “pós-modernidade” é exatamente este período em que parece haver uma ausência de projetos para a humanidade.

Para o estadunidense Francis Fukuyama, a queda do muro de Berlim representou o “fim da História”, pois a partir de então o antagonismo que polarizava o mundo entre socialistas e capitalistas estava suprimido pelo triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias. Tudo que restou, das requisições nacionalistas ao fundamentalismo islâmico, não serve de estandarte e o “american way of life”, isto é, o estilo de vida americano parece ser a única bandeira de um mundo colonizado econômica e culturalmente pela super-potência do Tio Sam.

Mesmo diante do inesperado – os ataques ao Pentágono e às Torres Gêmeas – e das transformações mundiais ocorridas em virtude do terrorismo, o projeto dos Estados Unidos ainda é o hegemônico: vida, liberdade e a procura da felicidade com as bênçãos da democracia. Por isso, as guerras contra o Afeganistão e o Iraque nunca estiveram sob a mira de uma crítica feroz que fizesse de Bush um derrotado, mas a atual crise econômica que pode acabar com a farra do consumo talvez o coloque, historicamente, no panteão dos demônios.

É muito cedo para dar qualquer veredicto. Assim como é muito cedo, ou quem sabe tarde demais, para assinalar o “fim da História”. Tudo pode acontecer, embora seja muitíssimo provável que não estejamos aqui para ver. A democracia é o nosso presente e, sem dúvida, ela é o pior dos regimes políticos enquanto não houver um melhor. O Estado democrático, sendo teoricamente o que representa a vontade da maioria, é o único que garante a liberdade. E a luta só é possível sem o arbítrio da excepcionalidade, isto é, sem o poder soberano dos regimes ditatoriais.

O problema, então, não é tanto pelo quê ou por quem lutamos, mas se efetivamente lutamos. Lutamos? O descaso e muitas vezes a alienação parecem ser uma forma de luta, como se o silêncio sem mordaça fosse o próprio protesto. Preocupados em vender o almoço para pagar a janta ou em aproveitar a última promoção do shopping, dependendo da posição econômica que ocupamos, não nos envolvemos em qualquer manifestação que exceda às ambições de nosso individualismo. E assim compramos o sonho americano de uma felicidade fabricada para ser consumida instantaneamente: o único projeto é o da construção da casa própria, mesmo que ela se avizinhe a barracos.

Nada tenho contra as ambições e as conquistas individuais. O que me espanta é o “pensamento único” que consente a desigualdade social e a corrupção sem tomar qualquer parte. O que me espanta é a ignorância que não reflete sobre as mudanças necessárias. O que me espanta é a desesperança que se acostuma com a estagnação. E, por fim, o que me causa um misto de asco com pavor é essa vontade de tirar proveito das situações, de justificar os meios pelos fins, de pensar que se a “farinha é pouca, meu pirão primeiro”. Tudo isso leva ao poder a banda podre da política com suas listas de favores devidos aos financiadores da campanha.

Se a mentalidade da pós-modernidade nos retirou qualquer herança de projeto universal, isto não significa que não haja projetos que possam ser partilhados coletivamente. E é aí que os Estados Unidos demonstram a sua autocrítica, pois lá a sociedade civil é altamente organizada. São as associações de moradores, de donas de casa, de grupos de auto-ajuda, de mulheres, de homossexuais, as organizações não-governamentais, os grêmios, as cooperativas, os sindicatos e os movimentos sociais. A formação desses grupos de interesse é o que garante o peso das reivindicações na arena pública.

No Brasil, esse processo de organização da sociedade civil começou a deslanchar nas últimas décadas, mas a “coisa pública” é ainda vista como “coisa de ninguém”. A impunidade e a corrupção são certamente as razões da apatia, assim como a mentalidade individualista deste tempo histórico voltado para o consumo e para o utilitarismo. Votar é importantíssimo, mas não é a única virtude da democracia. É preciso observar como estamos sendo representados. É preciso reivindicar quando essa representação falha. E é preciso apresentar propostas também. Se apenas contra fatos é que existem argumentos, é preciso que argumentemos diante da realidade para que o “fim da História”, se um dia o houver, não seja o triunfo do apaziguamento pela conformidade, pela resignação ou pela indiferença.

Fonte: O Globo

Chaminés abandonadas

1 - Outubro - 2008

Antes lotadas, algumas fábricas indianas hoje nada mais produzem além de ecos. O enfraquecimento de pólos industriais e a desarticulação dos trabalhadores em cidades como Kanpur e Bombay foi o tema da palestra de Chitra Joshi no dia 26 de agosto. Autora do livro “Lost Worlds: Indian Labour and its Forgotten Histories”, ainda sem tradução, ela foi convidada pela Fundação Getúlio Vargas a falar sobre a história do trabalho na Índia em uma perspectiva internacional.

Chitra comentou o crescimento dos empregos informais, em detrimento do ofício industrial. Segundo ela, ainda que seja importante, a fábrica deixou de ser o local de trabalho por excelência. Símbolo do encontro do trabalhador rural com a modernidade, as indústrias também funcionavam como locais de reunião entre pessoas de origens diferentes.

“Nos chawls [conglomerados habitacionais dos operários], as identidades de castas eram negociadas. Ainda que a fábrica controlasse os corpos dos empregados, eles resistiam, apropriando os espaços de um modo próprio e transformando-os com sua própria cultura, através dos cultos, por exemplo” disse Chitra Joshi, enquanto ilustrava sua apresentação com fotos de fábricas vazias.

A professora disse ser importante reavaliar as categorias espaciais tradicionais da história do trabalho. Sua obra dialoga com correntes tradicionais e modernas do pensamento historiográfico indiano, buscando compreender os impactos da industrialização na cultura dos trabalhadores e os fluxos migratórios ocasionados por ela.

Pesquisador da UFRRJ, Alexandre Fortes comentou que a Índia possui um passado de dominação colonial e desenvolveu tardiamente suas indústrias, assim como o Brasil. Aqui, no entanto, a implementação do modelo neoliberal foi retardada pela classe trabalhadora, enquanto lá os movimentos sociais não tiveram o mesmo sucesso em suas empreitadas.

Alexandre afirmou ainda que o esvaziamento de regiões fabris é presente mesmo em nações economicamente desenvolvidas, citando como exemplo a cidade de Detroit nos EUA. O que varia é a intensidade deste processo. “O ABC já não tem mais o mesmo peso que antigamente, mas não virou um deserto. A nossa desindustrialização veio com a democracia e sofreu fortes pressões dos movimentos sociais”, comentou.

Ao contrário, na Índia as mudanças econômicas coincidiram com o enfraquecimento dos projetos baseados no nacional-desenvolvimentismo e com a ascensão de um partido fundamentalista que, segundo Alexandre, promoveu uma forte desarticulação da classe operária. Isso fez com que os estudos no campo da história do trabalho se voltassem para outros espaços, além das fábricas. Ele comentou ainda sobre a importância da preservação destes ambientes, transformando-os em espaços de reflexão, como museus ou centros culturais.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

SP inaugura museu interativo dedicado à história do futebol

30 - Setembro - 2008

A cidade de São Paulo ganha nesta segunda-feira o Museu do Futebol, montado sob as arquibancadas da entrada principal do estádio do Pacaembu, na zona oeste da cidade. O museu é interativo e promete levar os visitantes a uma viagem inesquecível que conta a história do esporte mais popular do país. A abertura para o público acontece nesta terça, ás 10h, com ingressos a R$ 6,00. O Museu do Futebol funcionará apenas nos dias em que não houver jogos no estádio, para evitar qualquer tipo de confusão.

O local tem 6.900 m² e abrigará tanto a história do futebol brasileiro como a evolução do país em outros aspectos.

- O museu não se restringirá aos acontecimentos dentro das quatro linhas. Mostrará também o que aconteceu na cultura e na política do Brasil e do mundo – diz o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto.

A instituição foi a principal parceira do projeto, que teve a iniciativa da prefeitura paulistana e do governo do estado.

Dentro do museu, que deve virar atração turística na cidade, haverá ainda o Auditório Armando Nogueira, com capacidade para 180 lugares, a sala de exposições temporárias Osmar Santos, o bar O Torcedor, uma loja com artigos esportivos e lembranças do local.

O museu será dividido em três setores principais. O torcedor começa a viagem pela área da emoção, passeia por momentos históricos e finaliza a trajetória no eixo da diversão. Em todos eles, há a fusão entre a modernidade e a nostalgia. Logo na entrada, os visitantes vão se deparar com imensos painéis com fotos ampliadas de objetos de torcedores que remetem ao futebol, como bonecos, flâmulas, chaveiros, botões de equipes e ingressos.

Outra parte do museu que chama a atenção é a sala dos Anjos Barrocos, com imagens de craques projetadas em telas, como se eles estivessem voando. No segundo andar, o torcedor revê a história do futebol desde o final do século XIX até a Copa da Alemanha, em 2006. Na última seção, todos poderão viver um dia de craque participando de jogos interativos.

Depois de conhecer a história do futebol brasileiro, o torcedor poderá mostrar suas habilidades e até medir a potência do seu chute. Nesse último setor estarão disponíveis diversos tipos de jogos e brincadeiras.

Em um deles, que se chama Chute a Gol, o visitante fará uma cobrança de pênalti. Sensores medirão a velocidade do chute. Além disso, o torcedor será fotografado e poderá ver sua imagem no site do museu. Os que não quiserem se arriscar com a bola nos pés, mas acham que entendem tudo de tática, poderão testar diversas formações nas mesas de pebolim instaladas no primeiro andar.

No mesmo local haverá uma pequena arquibancada onde os torcedores poderão ver um filme em terceira dimensão de seis minutos com Ronaldinho Gaúcho. A primeira imagem do jogador é apenas um esqueleto virtual que, aos poucos, vai se transformando no atacante.

Fonte: O Globo

Prédio histórico é reaberto no centro de São Paulo

30 - Setembro - 2008
Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Por oito meses, o bancário Dagoberto Duzze Domingos andou 200 metros a mais para chegar ao trabalho. A partir de hoje, ele e os outros 53 funcionários da agência matriz da Nossa Caixa – instalados desde 14 de janeiro numa filial vizinha – voltam ao histórico edifício sede, no número 111 da Rua 15 de Novembro. E os paulistanos poderão, além de conferir os detalhes da reforma de R$ 1,9 milhão que durou até a semana passada, observar o painel de 14,5 metros por 1,4 metro com fotos antigas do centro da cidade que o departamento de marketing do banco mandou instalar numa das paredes para celebrar a reabertura. “Lá é diferente. O espaço é bem mais amplo”, comenta Domingos.

Projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo Villares e Companhia, o edifício começou a ser construído em 1941, para o Instituto Brasileiro do Café. Com a 2ª Guerra Mundial, o dinheiro minguou e as obras se arrastaram, com sucessivas interrupções, por uma década inteira. Só em 1951 os trabalhos recomeçam a todo vapor e o prédio ficou pronto.

O artista plástico italiano Gaetano Miani foi contratado pelo instituto e deixou quatro obras ali: A Conquista Tomada do Tosão de Ouro, um afresco de 2,67 por 8,30 metros; Bandeirantes, pintura em cerâmica azul e ouro de 4 por 4 metros; Riquezas do Brasil, pintura em esmalte sobre cobre composta por seis figuras, cada uma com 1 por 0,8 metro; e Brasil Dá Café ao Mundo, escultura em cerâmica revestida de cobre. Destas, apenas a última não fica em exposição na agência reaberta hoje.

Quando o banco comprou o prédio, em 1956, incorporou a seu acervo cultural as obras de Miani. O próprio artista plástico foi chamado, em 2004, para restaurar suas criações.

Tombado no ano passado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o edifício passou nos últimos meses pela maior reforma de sua história. Degradados pelo tempo, os caixilhos tiveram a cor verde original recuperada e as ferragens em latão da porta de vidro principal polidas. O piso, de granito, e as paredes e pilares, de mármore, também foram restaurados, mantendo as tonalidades originais e os desenhos dos veios das pedras.

Os três pisos da agência – um total de 1,5 mil metros quadrados – passaram pelo processo. Todas as instalações hidráulicas e elétricas foram modernizadas. “Nossa preocupação era preservar a estrutura, de alto valor histórico, e, ao mesmo tempo, melhorar o conforto das pessoas que circulam pela agência. Além de aumentar o nível de iluminação, que era muito baixo”, explica o arquiteto Paulo Yokomizo, que concebeu o projeto há quase três anos. “O prédio estava muito defasado. Nunca havia passado por uma reforma completa assim.”

Fonte: Estadão

Museu caseiro guarda história de games

30 - Setembro - 2008

Na contramão da febre pelos consoles da nova geração, como PlayStation 3, Nintendo Wii e Xbox 360, alguns nostálgicos se dedicam a manter viva a memória dos games clássicos, que fizeram a cabeça dos jovens nas décadas de 70 e 80. O administrador de empresas Marcelo Tavares, 29, que há 22 anos é fanático por jogos eletrônicos, ostenta uma coleção com 203 consoles, cerca de 3.000 jogos e mais de cem acessórios.

São aparelhos como o Telejogo, o Odyssey e o Atari, considerados hoje peças de museu. Segundo ele, mais do que um hábito infanto-juvenil, os games são opção de lazer em todas as idades.

“As crianças que jogavam no passado envelheceram, mas não perderam o hábito. Tenho vários amigos que gostam de jogar após a jornada de trabalho para relaxar um pouco”, afirma.

Gente muito doida

O museu caseiro de Marcelo tem ainda consoles portáteis, máquinas de fliperama, consoles raros que vinham acoplados a TVs e peças importadas dos Estados Unidos e do Japão –”coisa de gente muito doida”.

Para o administrador, que compartilha a paixão pelos games com o filho Fernando, 7, só há uma forma de conservar os aparelhos: testando-os. “Jogo umas três horas por dia. E, apesar de achar que estamos numa geração de muito boa qualidade, procuro reservar a metade do tempo para os aparelhos antigos, que ainda têm seu charme”, diz ele.

Já o empresário curitibano Antonio Borba, 34, preferiu focar mais seus esforços. É dono da maior coleção de Atari do país, segundo o “RankBrasil” (livro dos recordes brasileiros, www.rankbrasil.com.br). O acervo conta hoje com 41 consoles e 1.673 cartuchos do videogame. São 37 Atari 2600, dois Atari 5200 e dois Atari 7800. “Comecei há aproximadamente cinco anos, com o objetivo de relembrar os tempos de infância e adolescência. Comprei um console, alguns cartuchos e logo me vi colecionando para valer.”

Na sala especialmente projetada para guardar os videogames, Antonio instalou um sistema de controle de umidade e temperatura, com o propósito de não danificar os componentes. Para conferir a coleção de Borba, basta acessar tombrazil.magicwebdesign.com.br.

Outro site útil para interessados na história dos videogames é o www.classicgaming.com.br, mantido há dez anos pelo analista de sistemas Norian Munhoz Junior, 35. Na página, apreciadores de games podem encontrar fotos e informações de todas as gerações dos aparelhos. Há também dados sobre a coleção de Norian, atualmente com cerca de 130 consoles, 400 acessórios e 2.900 jogos, e um link para o Clube Canal 3 –grupo on-line que reúne aproximadamente 60 pessoas para trocar idéias, experiências e jogos.

Quem quiser participar do grupo deve enviar uma mensagem em branco para canal-3-subscribe@yahoogrupos.com.br e aguardar instruções por e-mail.

Velho design

Games de hoje, como Grand Theft Auto, ganham design vintage, inspirado no Atari; confira no Minus World; www.the-minusworld.com/2008/09/16/atari-modern-classics

Fonte: Folha online

Bush estatiza mais que Putin, diz Hobsbawm

26 - Setembro - 2008
MAURÍCIO MORAES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O capitalismo está em convulsão, assegura o historiador britânico Eric Hobsbawm, autor de clássicos como “Era dos Extremos”. Ele se atém ao ditado do banqueiro inglês Lord Overstone, que no século 19 resumiu os humores do sistema financeiro: “Quietude, progresso, confiança, prosperidade, excitação, especulação, convulsão, pressão, estagnação, fim e, novamente, quietude”.
Aos 91 anos, vivendo em Londres, Hobsbawm se desculpou por não conceder uma entrevista à Folha, mas enviou comentários por e-mail. Disse que a atual crise “marca o fim da desregulamentação e do fundamentalismo de mercado” e que EUA e Europa “estão descobrindo o que a América Latina e a Ásia conhecem de longa data -o quão séria uma crise do capitalismo pode ser”.
“O que eu gostaria de dizer sobre a atual crise está descrita no artigo “Capitalismo em Convulsão’”, disse Hobsbawm. O texto é de John Plender, publicado pelo “Financial Times”.
Plender diz que a desaparição do Lehman Brothers faz pensar sobre o “modelo de independência dos bancos de investimento”, mesmo problema dos bancos centrais: “Os políticos vão querer cobrar um preço” na hora da recapitalização, diz ele.
Em tempos em que o governo Bush abandona a ideologia para assumir as rédeas do capitalismo, Hobsbawm ironiza: “Quem poderia imaginar que Bush teria de nacionalizar sua economia numa escala muito maior que [Vladimir] Putin?”.
Fonte: Folha de S.P.