Arquivo da categoria ‘História da América’

Peru: múmias de mulheres sacrificadas são achadas

26 - Setembro - 2008
Ossada seria de uma mulher grávida que foi sacrificada em uma tumba pré-Inca, na provincia de Lambayeque

Ossada seria de uma mulher grávida que foi sacrificada em uma tumba pré-Inca, na província de Lambayeque

Arqueólogos no Peru afirmam que acreditam ter encontrado partes da ossada de uma mulher grávida que foi sacrificada em uma tumba pré-Inca na província de Lambayeque, no norte do país.

Apesar de execuções humanas não serem raras nas civilizações pré-hispânicas no Peru, o sacrifício de uma mulher grávida não era comum porque existia uma grande admiração pela fertilidade. No mesmo local, também foram encontrados os corpos de outras nove mulheres.

A tumba em Lambayeque é uma de três descobertas arqueológicas recentes de civilizações pré-hispânicas no Peru. A segunda descoberta fica nas ruínas de Cahuachi, ao sul de Lima.

Cahuachi era um local de cerimônias para a cultura Nazca, entre 300 e 800 d.C. No local, foram encontrados tecidos, cerâmicas e dois corpos que também foram sacrificados para agradar os deuses, segundo arqueólogos.

A terceira descoberta foi nas ruínas de Sacsayhuaman, perto de Cuzco, onde foram encontradas oito tumbas e mais de 20 esqueletos de pessoas que podem também ter sido sacrificadas em rituais.

Fonte:
BBC Brasil

Bush estatiza mais que Putin, diz Hobsbawm

26 - Setembro - 2008
MAURÍCIO MORAES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O capitalismo está em convulsão, assegura o historiador britânico Eric Hobsbawm, autor de clássicos como “Era dos Extremos”. Ele se atém ao ditado do banqueiro inglês Lord Overstone, que no século 19 resumiu os humores do sistema financeiro: “Quietude, progresso, confiança, prosperidade, excitação, especulação, convulsão, pressão, estagnação, fim e, novamente, quietude”.
Aos 91 anos, vivendo em Londres, Hobsbawm se desculpou por não conceder uma entrevista à Folha, mas enviou comentários por e-mail. Disse que a atual crise “marca o fim da desregulamentação e do fundamentalismo de mercado” e que EUA e Europa “estão descobrindo o que a América Latina e a Ásia conhecem de longa data -o quão séria uma crise do capitalismo pode ser”.
“O que eu gostaria de dizer sobre a atual crise está descrita no artigo “Capitalismo em Convulsão’”, disse Hobsbawm. O texto é de John Plender, publicado pelo “Financial Times”.
Plender diz que a desaparição do Lehman Brothers faz pensar sobre o “modelo de independência dos bancos de investimento”, mesmo problema dos bancos centrais: “Os políticos vão querer cobrar um preço” na hora da recapitalização, diz ele.
Em tempos em que o governo Bush abandona a ideologia para assumir as rédeas do capitalismo, Hobsbawm ironiza: “Quem poderia imaginar que Bush teria de nacionalizar sua economia numa escala muito maior que [Vladimir] Putin?”.
Fonte: Folha de S.P.

Allende: “A História é nossa e a fazem os povos”

24 - Setembro - 2008

No dia 11 de setembro de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, foi assassinado na sede do governo, durante o golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, com apoio declarado do governo dos Estados Unidos. Em seu discurso derradeiro, Allende pede ao povo chileno que aproveite a lição: “o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição”.

Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet:

“Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.”

Fonte: Agência Carta Maior