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Uma casinha pequenina

7 - Outubro - 2008

Depois de restauração, o Petit Trianon, refúgio da rainha Maria Antonieta em Versalhes, é reaberto ao público em toda a sua graça.

O assoalho está brilhando, os móveis receberam novo estofamento, há flores nos vasos e um elegante par de luvas repousa ao lado do toucador, como se sua dona tivesse saído um minutinho atrás. A última vez que ela esteve lá foi em 1789, mas o Petit Trianon, o pequeno e elegante palácio onde a rainha Maria Antonieta passava a maior parte do tempo, ganhou vida nova. Rememorando: mesmo preparada para os deveres reais, a jovem austríaca que aos 14 anos deixou seu país para o casamento dinástico com o herdeiro do trono francês sofria com a grandiosidade de Versalhes, o palácio oficial. Uma reação natural, considerando-se que em seus 67 000 metros quadrados e 2 000 cômodos, por onde circulavam 10 000 pessoas, entre nobres e serviçais, tudo era excessivo, exceto o conceito de privacidade. Na magnificência da corte francesa, até a troca de roupa da rainha era acompanhada por dezenas de pessoas organizadas de acordo com uma rígida hierarquia. Pior ainda, a corte inteira acompanhou os sete anos que o herdeiro, depois coroado Luís XVI, demorou para consumar o casamento. Sufocada pela etiqueta e pelo tédio conjugal, Maria Antonieta ganhou um espaço para respirar quando o marido lhe deu de presente sua própria casinha, o Petit Trianon. Uma jóia neoclássica de proporções elegantes e dimensões humanas, em comparação com Versalhes, a construção quadrada, com laterais de 23 metros, fica no extremo oposto em relação ao palácio principal dos enormes e suntuosos jardins palacianos. Ali, só entravam os convidados pessoais da rainha. Com poucos dourados – de novo, comparativamente – e paredes pintadas num cinza clarinho que ficou conhecido como o gris Trianon, virou o cenário onde Maria Antonieta fazia festas, jogava, exercia seus dotes artísticos e desfrutava os prazeres negados pelo marido relutante. A partir desta semana, toda a área interna do Petit Trianon, minuciosamente restaurada, poderá ser visitada pelo público.

Fotos Sipa Press e Francois Mori/AP
FOI ALI E JÁ VOLTA Os móveis, vendidos e dispersados depois da revolução de 1789, foram recuperados em cada detalhe, incluindo a temática floral, e agora ajudam a criar a sensação de que Maria Antonieta acabou de sair, deixando para trás um objeto aqui, as luvas ali


“O objetivo dessa restauração não era deixar o Petit Trianon com cara de museu, mas com ar de uma casa habitada. Gostaríamos de passar aos visitantes a sensação de que a rainha acabou de sair”, explicou a VEJA Pierre-André Lablaude, o arquiteto responsável pela restauração, uma obra de 5 milhões de euros. “Como ali só era autorizada a entrada dos convidados da rainha, os visitantes de hoje serão como visitas secretas.” Alguns ambientes, no andar térreo, estarão abertos ao público pela primeira vez, como os dormitórios dos criados, a sala de bilhar e a sala onde seriam instaladas as tables volantes – engenhoso sistema criado por Luís XV para que os pratos “surgissem” à mesa como num passe de mágica, mas que nunca foi finalizado. O 1º andar já havia sido restaurado anteriormente. Um dos ambientes mais conhecidos é a antecâmara com o retrato de Maria Antonieta segurando uma rosa, feito por Élisabeth Louise Vigée-Le Brun. Grupos acompanhados de guia poderão conhecer pela primeira vez o mezanino, onde ficavam as acomodações da camareira e da dama de companhia da rainha e uma pequena biblioteca, e o 2º andar, onde os quartos foram montados de modo a rememorar outros períodos e outras moradoras ilustres do Petit Trianon. “Depois da revolução, todos os móveis foram vendidos. Aos poucos, muitos foram recomprados ou doados e há vinte anos já vinham sendo reformados, à espera dessa restauração interna”, explica o arquiteto Lablaude.

O Petit Trianon foi originalmente construído pelo rei Luís XV para sua amante, Madame de Pompadour, que morreu antes que o palácio ficasse pronto. Amante morta, amante posta – e Madame du Barry se tornou, temporariamente, a dona do pedaço. Quando ganhou o palacete, com jardins e edificações adjacentes, Maria Antonieta imprimiu o próprio toque. Seu primeiro grande projeto foi a instalação de uma espécie de cortina de espelhos localizada em frente à janela do seu quarto. Assim, sentia a intimidade protegida. Como toda mulher que tem orçamento ilimitado e muitas idéias de decoração, foi mudando tudo. Entre os temas recorrentes em quadros, enfeites, tecidos e móveis, a natureza e muitas flores. Era lá que Maria Antonieta estava em 5 de outubro de 1789, quando recebeu a notícia de que a população enfurecida estava nos portões de Versalhes. No dia seguinte ela, o rei e os filhos foram levados para Paris, depois para a prisão e, por fim, para a guilhotina.


Fonte: Revista Veja

Prédio histórico é reaberto no centro de São Paulo

30 - Setembro - 2008
Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Por oito meses, o bancário Dagoberto Duzze Domingos andou 200 metros a mais para chegar ao trabalho. A partir de hoje, ele e os outros 53 funcionários da agência matriz da Nossa Caixa – instalados desde 14 de janeiro numa filial vizinha – voltam ao histórico edifício sede, no número 111 da Rua 15 de Novembro. E os paulistanos poderão, além de conferir os detalhes da reforma de R$ 1,9 milhão que durou até a semana passada, observar o painel de 14,5 metros por 1,4 metro com fotos antigas do centro da cidade que o departamento de marketing do banco mandou instalar numa das paredes para celebrar a reabertura. “Lá é diferente. O espaço é bem mais amplo”, comenta Domingos.

Projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo Villares e Companhia, o edifício começou a ser construído em 1941, para o Instituto Brasileiro do Café. Com a 2ª Guerra Mundial, o dinheiro minguou e as obras se arrastaram, com sucessivas interrupções, por uma década inteira. Só em 1951 os trabalhos recomeçam a todo vapor e o prédio ficou pronto.

O artista plástico italiano Gaetano Miani foi contratado pelo instituto e deixou quatro obras ali: A Conquista Tomada do Tosão de Ouro, um afresco de 2,67 por 8,30 metros; Bandeirantes, pintura em cerâmica azul e ouro de 4 por 4 metros; Riquezas do Brasil, pintura em esmalte sobre cobre composta por seis figuras, cada uma com 1 por 0,8 metro; e Brasil Dá Café ao Mundo, escultura em cerâmica revestida de cobre. Destas, apenas a última não fica em exposição na agência reaberta hoje.

Quando o banco comprou o prédio, em 1956, incorporou a seu acervo cultural as obras de Miani. O próprio artista plástico foi chamado, em 2004, para restaurar suas criações.

Tombado no ano passado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o edifício passou nos últimos meses pela maior reforma de sua história. Degradados pelo tempo, os caixilhos tiveram a cor verde original recuperada e as ferragens em latão da porta de vidro principal polidas. O piso, de granito, e as paredes e pilares, de mármore, também foram restaurados, mantendo as tonalidades originais e os desenhos dos veios das pedras.

Os três pisos da agência – um total de 1,5 mil metros quadrados – passaram pelo processo. Todas as instalações hidráulicas e elétricas foram modernizadas. “Nossa preocupação era preservar a estrutura, de alto valor histórico, e, ao mesmo tempo, melhorar o conforto das pessoas que circulam pela agência. Além de aumentar o nível de iluminação, que era muito baixo”, explica o arquiteto Paulo Yokomizo, que concebeu o projeto há quase três anos. “O prédio estava muito defasado. Nunca havia passado por uma reforma completa assim.”

Fonte: Estadão