Chaminés abandonadas

1 - Outubro - 2008 por História

Antes lotadas, algumas fábricas indianas hoje nada mais produzem além de ecos. O enfraquecimento de pólos industriais e a desarticulação dos trabalhadores em cidades como Kanpur e Bombay foi o tema da palestra de Chitra Joshi no dia 26 de agosto. Autora do livro “Lost Worlds: Indian Labour and its Forgotten Histories”, ainda sem tradução, ela foi convidada pela Fundação Getúlio Vargas a falar sobre a história do trabalho na Índia em uma perspectiva internacional.

Chitra comentou o crescimento dos empregos informais, em detrimento do ofício industrial. Segundo ela, ainda que seja importante, a fábrica deixou de ser o local de trabalho por excelência. Símbolo do encontro do trabalhador rural com a modernidade, as indústrias também funcionavam como locais de reunião entre pessoas de origens diferentes.

“Nos chawls [conglomerados habitacionais dos operários], as identidades de castas eram negociadas. Ainda que a fábrica controlasse os corpos dos empregados, eles resistiam, apropriando os espaços de um modo próprio e transformando-os com sua própria cultura, através dos cultos, por exemplo” disse Chitra Joshi, enquanto ilustrava sua apresentação com fotos de fábricas vazias.

A professora disse ser importante reavaliar as categorias espaciais tradicionais da história do trabalho. Sua obra dialoga com correntes tradicionais e modernas do pensamento historiográfico indiano, buscando compreender os impactos da industrialização na cultura dos trabalhadores e os fluxos migratórios ocasionados por ela.

Pesquisador da UFRRJ, Alexandre Fortes comentou que a Índia possui um passado de dominação colonial e desenvolveu tardiamente suas indústrias, assim como o Brasil. Aqui, no entanto, a implementação do modelo neoliberal foi retardada pela classe trabalhadora, enquanto lá os movimentos sociais não tiveram o mesmo sucesso em suas empreitadas.

Alexandre afirmou ainda que o esvaziamento de regiões fabris é presente mesmo em nações economicamente desenvolvidas, citando como exemplo a cidade de Detroit nos EUA. O que varia é a intensidade deste processo. “O ABC já não tem mais o mesmo peso que antigamente, mas não virou um deserto. A nossa desindustrialização veio com a democracia e sofreu fortes pressões dos movimentos sociais”, comentou.

Ao contrário, na Índia as mudanças econômicas coincidiram com o enfraquecimento dos projetos baseados no nacional-desenvolvimentismo e com a ascensão de um partido fundamentalista que, segundo Alexandre, promoveu uma forte desarticulação da classe operária. Isso fez com que os estudos no campo da história do trabalho se voltassem para outros espaços, além das fábricas. Ele comentou ainda sobre a importância da preservação destes ambientes, transformando-os em espaços de reflexão, como museus ou centros culturais.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

V Simpósio Estado e Poder: Hegemonia/UFF

1 - Outubro - 2008 por História

O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Estado e Poder no Brasil(UFF), o Grupo de Estudos Intelectuais e a Nação (UERJ-FFP) e o Laboratório de Historia Econômica e política (Polis-UFF) promovem o V Simpósio Estado e Poder: Hegemonia, de 7 a 10/10/2008. O evento será composto por mesas redondas, conferencias e comunicações coordenadas. Mais informações em http://www.simposiohegemonia.pro.br.

Arquivos Historia Viva n.2

1 - Outubro - 2008 por História

Nas bancas Arquivos Historia Viva n.2 – Os melhores textos sobre a Segunda Guerra Mundial –

Desde a ascensão dos nazistas, passando pelo pacto entre Stalin e Hitler, a invasão da França, a espionagem soviética, a luta suicida dos kamikazes, a resistência alemã, o holocausto, a queda de Berlim, a luta dos pracinhas na Europa até Nazistas e fascistas no Brasil.

Ensino universitário: um empreendimento para os grandes capitais

1 - Outubro - 2008 por História

Por Verônica Bercht

Em junho, o empresário João Carlos Di Gênio, dono do grupo Objetivo, recebeu uma oferta do grupo norte-americano Apollo para a aquisição de toda a fatia que ele domina no ensino superior, formada pela Unip (Universidade Paulista) e por outras 46 faculdades. A oferta, de 2,5 bilhões de reais, não foi aceita, mas o interesse dos estrangeiros na aquisição de instituições de ensino superior brasileiras continua, e as empresas nacionais estão se preparando para isso.

A presença de capital estrangeiro nos estabelecimentos de ensino superior brasileiros não é novidade. O próprio grupo Apollo – que mantém uma das maiores instituições com fins lucrativos dos EUA, a Universidade de Phoenix, no estado do Arizona, além de outros estabelecimentos em território americano e no Canadá, México, Chile e Holanda – foi, de 2001 a 2006, acionista da empresa mineira Kroton, dona do sistema de ensino Pitágoras.

Além do Apollo, outras duas empresas americanas têm presença no Brasil. O Whitney Education Group, em 2006, comprou, por 23,5 milhões de reais, metade do capital das Faculdades Jorge Amado, de Salvador.

E a Laureate International Universities, a primeira a chegar, adquiriu, em 2005, 51% do controle da Universidade Anhembi Morumbi e tem sociedade também na São Paulo Business School e na Universidade Potiguar, no Rio Grande do Norte. Neste ano, o Centro Universitário do Norte (UniNorte), no Amazonas, e a Escola Superior de Administração Direito e Economia (Esade), no Rio Grande do Sul, passaram a integrar a rede da Laureate, que hoje tem 70 mil alunos no Brasil. Além disso, a partir de 2007, algumas instituições de ensino superior brasileiras abriram seu capital e fizeram captação de recursos, especialmente estrangeiros, com lançamento inicial de ações na Bovespa. O grupo Anhanguera Educacional Participações foi o primeiro a utilizar esse expediente, seguido por Estácio de Sá, SEB (Sociedade Educacional Brasileira) e Kroton. Juntas, captaram 1,9 bilhão de reais, e grande parte das ações foi comprada por estrangeiros.

Especialistas calculam que, nos próximos dois anos, o setor deve receber até 3 bilhões de reais além do que já foi investido. Os que já investiram no Brasil têm mais dinheiro para investir, e ainda há outros grupos para vir, disse o consultor de ensino privado e presidente da Hoper Educacional, Ryon Braga, a O Estado de S. Paulo. Braga é um defensor da abertura do capital das empresas de ensino e acha que o setor ainda não está preparado para isso. O que atrapalharia o processo, ainda, seria o fato de a maioria das universidades ser controlada por famílias, com estruturas de custo “pesadas e inchadas”, diz O Estado.

Com a LDB, empresas
Pode-se dizer que o mercado do ensino superior brasileiro “explodiu” a partir da promulgação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), em 1996, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Até então, a Constituição Federal reconhecia a existência de instituições privadas, mas não caracterizadas claramente como empresas. A LDB distinguiu as instituições privadas com fins lucrativos das demais e estabeleceu regras para o funcionamento das entidades, passando a permitir a existência de empresas de ensino visando, obviamente, ao lucro.

A mudança também disparou um processo de concentração de capitais, com a compra de pequenas empresas pelas grandes e a formação de grupos de peso. Também bancos e fundos de investimentos, como o Garantia Participações e o União de Bancos Suíços-Pactual, entraram no negócio. É “um movimento de aquisições sem precedentes”, diz o jornal Valor Econômico. Num artigo do início de junho, o periódico apresenta dados da consultoria KPMG que mostram 30 transações no setor, no primeiro semestre deste ano. Esse movimento de fusões e aquisições só é inferior aos dos setores de tecnologia da informação e de alimentos, bebidas e fumo. As empresas não declaram os valores envolvidos, mas, segundo o jornal, eles chegam a 250 milhões de reais.

Em 2006, existiam 2.270 instituições de ensino superior. Apenas 248, pouco mais de 10%, eram públicas; quase 90%, 2.022, eram privadas, que tinham 3,8 milhões de estudantes, 80% do total, e movimentavam, anualmente, cerca 20,5 bilhões de reais. O movimento de concentração no setor está apenas no começo e poderá resultar na existência de apenas 15 ou 20 grandes grupos, com 3 milhões de alunos, estimam alguns analistas.

Um exemplo de formação de um desses grupos é o Anhanguera Educacional Participações. O grupo nasceu em 1994, na cidade de Leme (SP). Em 2003, já era um grupo médio, com 8.848 alunos em sete unidades espalhadas por seis cidades do interior de São Paulo. Nesse mesmo ano, o Anhanguera transformou suas instituições sem fins lucrativos em empresas, com fins lucrativos, portanto. No mesmo ano, associou-se à Anhembi Morumbi, na capital paulista. Em 2004, incorporou várias faculdades do interior do estado de São Paulo e mudou sua estrutura societária para a de uma sociedade anônima. No fim de 2005, já tinha dez unidades de ensino. Em 2006, quando abriu sua 11ª unidade, possuía mais de 23 mil alunos. E chegou a 59 mil alunos em 2007, já então espalhada por São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. Só para efeito de comparação: em 2007, a USP (Universidade de São Paulo), a maior universidade pública do País, tinha 45 mil alunos na graduação e 35 mil na pós-graduação, totalizando 80 mil estudantes matriculados.

O desempenho do Anhanguera mostra uma lucratividade atraente para grandes investidores, como as empresas estrangeiras que rondam o mercado brasileiro de ensino. O balanço divulgado em março de 2008 mostra que, em 2007, o grupo captou cerca de 500 milhões de reais na Bolsa de Valores. No ano passado, seu lucro líquido foi de 63,5 milhões de reais, mais de quatro vezes o alcançado em 2006, de 14,9 milhões de reais.

A mudança na LDB acatou as recomendações do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), de abrir o ensino para o capital privado. O resultado da privatização seria a democratização do acesso à educação superior. O acesso, de fato, cresceu. O Mapa do ensino superior privado, estudo da professora Gladys Beatriz Barreyro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, publicado em 2008 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, fez um diagnóstico dessa situação. Entre 1980 e 1996, o número de estabelecimentos de ensino superior no Brasil passou de 882 para 922, um aumento de apenas 4,5%, sendo que as escolas públicas cresceram mais do que as particulares – 5,5% contra 4,2%. Na década seguinte, entre 1996 e 2006, o ritmo de crescimento acelerou: de 922 instituições saltou para 2.270, um aumento de quase 250%, e a relação entre públicas e particulares se inverteu de forma espetacular. Enquanto as públicas passaram de 211 para 248, um aumento de apenas 17%, as particulares pularam de 711 para 2.022, um aumento de quase 300%.

Arrancada da privatização
O estudo mostra também o crescimento das matrículas no período. Em 1980, foram 1,4 milhão de matrículas; em 1995, 1,8 milhão, um crescimento de cerca de 25%. E, de 1995 a 2004, houve um salto para 4,2 milhões de matrículas, um aumento cerca de dez vezes maior, devido, esmagadoramente, ao crescimento das matrículas nas instituições particulares. As públicas evoluíram de 492 mil matrículas em 1980 para 700 mil em 1995, aumento de cerca de 40%, e para 1,2 milhão em 2004, aumento de quase 70%. Enquanto isso, as privadas passaram de 885 mil em 1980 para 1 milhão em 1995, aumento de menos de 20%, abaixo do obtido pelas públicas, e tomaram a dianteira disparada em 2004, com 3 milhões de matrículas, quase 300% de aumento.

A dianteira das particulares pode ser observada, também, por outro ângulo. Em 1980, o setor público tinha 36% das matrículas, e o privado, 64%. Nos quinze anos seguintes, as públicas avançaram sobre as particulares, chegando, em 1995, a 40% do total das matrículas, enquanto as privadas caíam para 60%. Na década seguinte, a tendência se inverteu de forma acentuada: em 2004, as públicas tiveram sua participação reduzida para 28%, enquanto as privadas subiram para 72%.

Mesmo assim, em termos de ocupação das vagas oferecidas, as públicas foram mais eficientes. Em 2004, foram oferecidas 2,3 milhões de vagas, sendo, aproximadamente, 300 mil em estabelecimentos públicos e 2 milhões em privados. Mas, nas públicas, 93% das vagas oferecidas foram preenchidas por novos alunos; entre as privadas, apenas 50% das vagas foram efetivamente preenchidas.

O preço do ensino privado é alto. As mensalidades, no Rio de Janeiro, por exemplo, variaram, em 2003, entre 200 reais e mais de 2 mil reais. Na Universidade Gama Filho, os cursos de pedagogia e matemática custavam, naquele ano, 199 reais por mês. Na PUC-Rio, o curso de engenharia custava 962 reais por mês. E as mensalidades de medicina na Uninove e na Unicastelo eram 2.200 reais. São valores que destroem a ilusão, difundida pelo BID e pelo governo FHC, a respeito da democratização
do ensino superior pela expansão dos negócios privados, que representam 90% das instituições de ensino e oferecem 80% das vagas.

Estão em tramitação no Congresso dois projetos de lei que tratam da privatização do ensino superior e da entrada de capital estrangeiro no setor. Um deles é o projeto de lei (PL 2138/2003) do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), que quer proibir, pura e simplesmente, a entrada de capital estrangeiro nas instituições educacionais privadas. Outro é o projeto de lei da Reforma Universitária (PL 7200/2006), enviado pelo presidente Lula à Câmara dos Deputados em junho daquele ano. Ele prevê
o limite de 30% para o capital estrangeiro no ensino superior privado e estabelece critérios para a negociação e fiscalização dos preços das mensalidades.

Apoio ao capital de fora
As entidades mantenedoras do ensino superior e os empresários do setor são radicalmente contra qualquer restrição ao dinheiro de fora. Hermes Ferreira Figueiredo, presidente do sindicato das mantenedoras do estado de São Paulo e dono da Unicsul, considera “equivocada” a proibição da entrada de capital estrangeiro. “A origem do capital não determina a qualidade”, ele diz. O professor Antonio Carbonari Neto, presidente do grupo Anhanguera Educacional, por sua vez, também elogia a participação dos investidores estrangeiros e diz que sua proibição é puramente “ideológica”. No texto “O capital estrangeiro na educação superior brasileira”, divulgado em junho deste ano no portal da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), Edson Franco procura distinguir entidades mantenedoras e instituições educacionais. O argumento é que não há proibição para a participação do capital estrangeiro nas mantenedoras.

Do outro lado, no debate, há um leque diversificado. A vinda do capital estrangeiro “será uma penetração cultural que precisa ser monitorada, pois não atende aos interesses do País e tampouco traz melhoria para a qualidade do ensino, pois a lógica do capital visa somente ao lucro”, argumenta o deputado Ivan Valente, na justificativa de seu projeto de lei. Educação “não é negócio”, disse ele numa audiência pública realizada na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em 19 de junho. O professor Francisco Miraglia Neto, da USP, concorda. Educação é um direito social básico, mas está se transformando em mercadoria”, diz ele. Miraglia não é, em tese, contra o ensino privado, mas considera que os preços da rede privada precisam ser administrados pelo poder público.

Lúcia Stumpf, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), também condena a mercantilização do ensino e a presença do capital estrangeiro, que provocam, na maioria dos casos, diz ela, a degradação da educação, prejudicando alunos, professores e funcionários das instituições. “São necessárias ações que tenham o poder de limitar, ou até de impedir, o capital estrangeiro na educação superior”, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico, no início de julho.

Fonte: Retrato do Brasil (Ed. nº 13, agosto/setembro)

Centro histórico de Porto Nacional é tombado

30 - Setembro - 2008 por História

A cidade de Porto Nacional, no interior do estado de Tocantins, já recebeu a notificação do tombamento de seu centro histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em fins de agosto. Agora falta apenas sua homologação pelo Ministério da Cultura. A área reúne aproximadamente 250 edificações.

A origem do município – localizado no centro do estado – remonta ao Ciclo do Ouro, no século XVIII. Chamada então de Porto Real, a cidade abrigava instituições da metrópole portuguesa responsáveis pela cobrança de impostos sobre a extração do ouro. Durante a época do império, a cidade passou a se chamar Porto Imperial e, na república, Porto Nacional.

Os estudos que fundamentam o pedido de tombamento foram feitos por meio de uma parceria entre o município, a Fundação Cultural do Estado, e a Superintendência Regional do Iphan. O tombamento impulsionou o processo de restauro da região. A Prefeitura Municipal declarou que pretende, nos próximos anos, investir pesado em obras para aumentar o potencial turístico da região.

SP inaugura museu interativo dedicado à história do futebol

30 - Setembro - 2008 por História

A cidade de São Paulo ganha nesta segunda-feira o Museu do Futebol, montado sob as arquibancadas da entrada principal do estádio do Pacaembu, na zona oeste da cidade. O museu é interativo e promete levar os visitantes a uma viagem inesquecível que conta a história do esporte mais popular do país. A abertura para o público acontece nesta terça, ás 10h, com ingressos a R$ 6,00. O Museu do Futebol funcionará apenas nos dias em que não houver jogos no estádio, para evitar qualquer tipo de confusão.

O local tem 6.900 m² e abrigará tanto a história do futebol brasileiro como a evolução do país em outros aspectos.

- O museu não se restringirá aos acontecimentos dentro das quatro linhas. Mostrará também o que aconteceu na cultura e na política do Brasil e do mundo – diz o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto.

A instituição foi a principal parceira do projeto, que teve a iniciativa da prefeitura paulistana e do governo do estado.

Dentro do museu, que deve virar atração turística na cidade, haverá ainda o Auditório Armando Nogueira, com capacidade para 180 lugares, a sala de exposições temporárias Osmar Santos, o bar O Torcedor, uma loja com artigos esportivos e lembranças do local.

O museu será dividido em três setores principais. O torcedor começa a viagem pela área da emoção, passeia por momentos históricos e finaliza a trajetória no eixo da diversão. Em todos eles, há a fusão entre a modernidade e a nostalgia. Logo na entrada, os visitantes vão se deparar com imensos painéis com fotos ampliadas de objetos de torcedores que remetem ao futebol, como bonecos, flâmulas, chaveiros, botões de equipes e ingressos.

Outra parte do museu que chama a atenção é a sala dos Anjos Barrocos, com imagens de craques projetadas em telas, como se eles estivessem voando. No segundo andar, o torcedor revê a história do futebol desde o final do século XIX até a Copa da Alemanha, em 2006. Na última seção, todos poderão viver um dia de craque participando de jogos interativos.

Depois de conhecer a história do futebol brasileiro, o torcedor poderá mostrar suas habilidades e até medir a potência do seu chute. Nesse último setor estarão disponíveis diversos tipos de jogos e brincadeiras.

Em um deles, que se chama Chute a Gol, o visitante fará uma cobrança de pênalti. Sensores medirão a velocidade do chute. Além disso, o torcedor será fotografado e poderá ver sua imagem no site do museu. Os que não quiserem se arriscar com a bola nos pés, mas acham que entendem tudo de tática, poderão testar diversas formações nas mesas de pebolim instaladas no primeiro andar.

No mesmo local haverá uma pequena arquibancada onde os torcedores poderão ver um filme em terceira dimensão de seis minutos com Ronaldinho Gaúcho. A primeira imagem do jogador é apenas um esqueleto virtual que, aos poucos, vai se transformando no atacante.

Fonte: O Globo

Prédio histórico é reaberto no centro de São Paulo

30 - Setembro - 2008 por História
Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Foto geral da agencia matriz da Nossa Caixa em fase final de preparação para inauguração e reabertura ao publico,a agencia de numero 0001 e fica na rua XV de Novembro,zona central. FOTO SERGIO CASTRO/ AE

Por oito meses, o bancário Dagoberto Duzze Domingos andou 200 metros a mais para chegar ao trabalho. A partir de hoje, ele e os outros 53 funcionários da agência matriz da Nossa Caixa – instalados desde 14 de janeiro numa filial vizinha – voltam ao histórico edifício sede, no número 111 da Rua 15 de Novembro. E os paulistanos poderão, além de conferir os detalhes da reforma de R$ 1,9 milhão que durou até a semana passada, observar o painel de 14,5 metros por 1,4 metro com fotos antigas do centro da cidade que o departamento de marketing do banco mandou instalar numa das paredes para celebrar a reabertura. “Lá é diferente. O espaço é bem mais amplo”, comenta Domingos.

Projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo Villares e Companhia, o edifício começou a ser construído em 1941, para o Instituto Brasileiro do Café. Com a 2ª Guerra Mundial, o dinheiro minguou e as obras se arrastaram, com sucessivas interrupções, por uma década inteira. Só em 1951 os trabalhos recomeçam a todo vapor e o prédio ficou pronto.

O artista plástico italiano Gaetano Miani foi contratado pelo instituto e deixou quatro obras ali: A Conquista Tomada do Tosão de Ouro, um afresco de 2,67 por 8,30 metros; Bandeirantes, pintura em cerâmica azul e ouro de 4 por 4 metros; Riquezas do Brasil, pintura em esmalte sobre cobre composta por seis figuras, cada uma com 1 por 0,8 metro; e Brasil Dá Café ao Mundo, escultura em cerâmica revestida de cobre. Destas, apenas a última não fica em exposição na agência reaberta hoje.

Quando o banco comprou o prédio, em 1956, incorporou a seu acervo cultural as obras de Miani. O próprio artista plástico foi chamado, em 2004, para restaurar suas criações.

Tombado no ano passado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o edifício passou nos últimos meses pela maior reforma de sua história. Degradados pelo tempo, os caixilhos tiveram a cor verde original recuperada e as ferragens em latão da porta de vidro principal polidas. O piso, de granito, e as paredes e pilares, de mármore, também foram restaurados, mantendo as tonalidades originais e os desenhos dos veios das pedras.

Os três pisos da agência – um total de 1,5 mil metros quadrados – passaram pelo processo. Todas as instalações hidráulicas e elétricas foram modernizadas. “Nossa preocupação era preservar a estrutura, de alto valor histórico, e, ao mesmo tempo, melhorar o conforto das pessoas que circulam pela agência. Além de aumentar o nível de iluminação, que era muito baixo”, explica o arquiteto Paulo Yokomizo, que concebeu o projeto há quase três anos. “O prédio estava muito defasado. Nunca havia passado por uma reforma completa assim.”

Fonte: Estadão

Museu caseiro guarda história de games

30 - Setembro - 2008 por História

Na contramão da febre pelos consoles da nova geração, como PlayStation 3, Nintendo Wii e Xbox 360, alguns nostálgicos se dedicam a manter viva a memória dos games clássicos, que fizeram a cabeça dos jovens nas décadas de 70 e 80. O administrador de empresas Marcelo Tavares, 29, que há 22 anos é fanático por jogos eletrônicos, ostenta uma coleção com 203 consoles, cerca de 3.000 jogos e mais de cem acessórios.

São aparelhos como o Telejogo, o Odyssey e o Atari, considerados hoje peças de museu. Segundo ele, mais do que um hábito infanto-juvenil, os games são opção de lazer em todas as idades.

“As crianças que jogavam no passado envelheceram, mas não perderam o hábito. Tenho vários amigos que gostam de jogar após a jornada de trabalho para relaxar um pouco”, afirma.

Gente muito doida

O museu caseiro de Marcelo tem ainda consoles portáteis, máquinas de fliperama, consoles raros que vinham acoplados a TVs e peças importadas dos Estados Unidos e do Japão –”coisa de gente muito doida”.

Para o administrador, que compartilha a paixão pelos games com o filho Fernando, 7, só há uma forma de conservar os aparelhos: testando-os. “Jogo umas três horas por dia. E, apesar de achar que estamos numa geração de muito boa qualidade, procuro reservar a metade do tempo para os aparelhos antigos, que ainda têm seu charme”, diz ele.

Já o empresário curitibano Antonio Borba, 34, preferiu focar mais seus esforços. É dono da maior coleção de Atari do país, segundo o “RankBrasil” (livro dos recordes brasileiros, www.rankbrasil.com.br). O acervo conta hoje com 41 consoles e 1.673 cartuchos do videogame. São 37 Atari 2600, dois Atari 5200 e dois Atari 7800. “Comecei há aproximadamente cinco anos, com o objetivo de relembrar os tempos de infância e adolescência. Comprei um console, alguns cartuchos e logo me vi colecionando para valer.”

Na sala especialmente projetada para guardar os videogames, Antonio instalou um sistema de controle de umidade e temperatura, com o propósito de não danificar os componentes. Para conferir a coleção de Borba, basta acessar tombrazil.magicwebdesign.com.br.

Outro site útil para interessados na história dos videogames é o www.classicgaming.com.br, mantido há dez anos pelo analista de sistemas Norian Munhoz Junior, 35. Na página, apreciadores de games podem encontrar fotos e informações de todas as gerações dos aparelhos. Há também dados sobre a coleção de Norian, atualmente com cerca de 130 consoles, 400 acessórios e 2.900 jogos, e um link para o Clube Canal 3 –grupo on-line que reúne aproximadamente 60 pessoas para trocar idéias, experiências e jogos.

Quem quiser participar do grupo deve enviar uma mensagem em branco para canal-3-subscribe@yahoogrupos.com.br e aguardar instruções por e-mail.

Velho design

Games de hoje, como Grand Theft Auto, ganham design vintage, inspirado no Atari; confira no Minus World; www.the-minusworld.com/2008/09/16/atari-modern-classics

Fonte: Folha online

Três não é demais

29 - Setembro - 2008 por História

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou no último dia 12 o tombamento de três patrimônios históricos no Piauí, tornando-o o primeiro estado a receber uma ação integrada do tipo. A medida afetará principalmente Parnaíba, cidade muito conhecida pela foz e dunas de seu rio principal. Teresina também será beneficiada, com o arrolamento da ponte João Luis Ferreira e da Floresta Fóssil.

Em Parnaíba, o tombamento inclui o centro histórico, seu entorno e um trecho do Rio Igaraçu, garantindo a proteção e revitalização de bens tanto do período colonial quanto dos séculos XIX e XX. Entre eles, está a Casa Inglesa. Sede de importantes atividades econômicas durante o ciclo da carnaúba, o prédio abriga importantes registros sobre as finanças do Piauí entre 1854 e os anos 1960.

A inclusão dos documentos na lista de patrimônios resguardados pelo Iphan é comemorada por Ingrid Clark, responsável pela Casa Inglesa. “Algumas pessoas acham que o tombamento faz os imóveis perderem valor. Ao contrário, ele agrega importância. É uma vitória para Parnaíba”, diz.

Segundo ela, a decisão veio em um momento importante, pois “ainda que a maioria dos patrimônios esteja em razoável estado de conservação, outros estão em situação alarmente, como o casarão Simplício Dias, que foi desapropriado”. Membro do Instituto Histórico de Parnaíba, Cosme Costa tem a mesma opinião. Ele afirma que, em 20 anos, cerca de 50 imóveis históricos foram derrubados para dar lugar a construções mais modernas e credita a destruição à ações de empresários.

A Floresta Fóssil é um sítio arqueológico único na América Latina, situado no perímetro urbano de Teresina. O tombamento irá preservar seu acervo geológico, que conta com plantas de aproximadamente 200 milhões de anos. Já a ponte metálica João Luis Ferreira é uma obra de engenharia ferroviária tida como um dos símbolos da capital do Piauí. Ela possui aparência semelhante à ponte de Blumenau, no Sul, mas com uma estrutura diferente.

O tombamento é um dispositivo que garante a preservação de locais importantes para a cultura do país. Todas as intervenções em áreas preservadas através deste instrumento devem ter a autorização do Iphan, sendo sua responsabilidade evitar a descaracterização do local. A partir deste reconhecimento, o poder público deve se empenhar em realizar a manutenção dos locais tombados por meio de ações diversas.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

Livro conta a história de Bonfim

29 - Setembro - 2008 por História

Histórias, lendas, tradições e personagens marcantes. Os moradores do Médio Paraopeba ganharam uma publicação com a memória da cidade de Bonfim, Região Central, a 82 quilômetros de Belo Horizonte. Para resgatar os fatos que marcaram o município desde a chegada do bandeirante Manoel Teixeira Sobreira, em 1675, data de fundação do arraial, o ouvidor-geral do estado e ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Lúcio Urbano Silva Martins, lançou ontem o livro Cidades do Bonfim: apontamentos históricos e notas de vida de bonfinenses ilustres.

No auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, no Bairro Barro Preto, Região Centro-Sul, do qual é membro, o autor recebeu amigos e contou pontos interessantes das 339 páginas do livro, como a curiosidade de que a cidade tinha 192 quilômetros quadrados e a integravam distritos emancipados no século passado, entre eles Brumadinho, Moeda, Rio Manso, Itaguara e Mateus Leme. Segundo ele, para concluir a pesquisa foram necessários mais de 20 anos. “Pesquisar história no Brasil é tarefa árdua. A mais nobre lembrança nos conduz à nossa terra de nascimento, por isso a escolha de Bonfim”, afirma.

Além de dados sobre a história de Bonfim, o livro faz homenagem a pessoas ilustres nascidas na cidade, como professor José Baeta Vianna e Aristides Campos, ex-governador do Espírito Santo na década de 1940. Conta ainda a criação da tradicional festa do carnaval a cavalo. Nos domingos anteriores às festividades, cavaleiros andam pela praça vestidos com roupas velhas e rasgadas, penico na cabeça, cavalos lerdos e velhos para anunciar a chegada do carnaval. À noite do sábado é a vez do desfile do Zé Pereira, cavaleiro que usa um colchão amarrado ao corpo para representar um rapaz gordo. Acompanhado de dois homens vestidos de mulher, ele segue até a Praça da Matriz, enquanto o povo grita a marcha Viva o Zé Pereira/Na noite do carnaval/de tanto comer banana/morreu de caganeira. Em seguida, as escolas de samba dão início ao desfile.

Fonte: UAI